RMC traša plano de desenvolvimento

Data: 18/11/2009

Veículo: Jornal: Correio Popular - Seção: Cidades

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Intenção é consolidar a competitividade regional diante de grandes projetos, como TAV e Viracopos

Maria Teresa Costa

Os prefeitos da Região Metropolitana de Campinas (RMC) decidiram, ontem, construir um plano estratégico de desenvolvimento para que as 19 cidades possam aproveitar as oportunidades e consolidar a competitividade econômica regional a partir dos grandes investimentos públicos previstos, como a implantação do trem de alta velocidade (TAV), a ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos e a exploração da camada do pré-sal. Esses três projetos têm um potencial de investimento na RMC de R$ 26,4 bilhões e de geração de cerca de 120 mil empregos nos próximos cinco anos, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Sem um plano estratégico, a região corre o risco de perder oportunidades”, disse o assessor da Fundação de Desenvolvimento Administrativo (Fundap), Aurílio Caiado. O Conselho de Desenvolvimento da RMC autorizou a contratação da Fundap para elaborar o plano. “Precisamos de uma agenda estratégica”, afirmou o presidente da RMC e prefeito de Monte Mor, Rodrigo Maia (PSDB).

O Núcleo de Economia Social e Urbana Regional (Nesur), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), vai participar da elaboração do estudo, que irá traçar um cenário de tendências econômicas, demográficas e sociais da região e mostrar o cenário de oportunidades, levando em conta a carteira de projetos estratégicos da RMC. Com isso, será feita uma avaliação dos possíveis efeitos dos projetos em termos de geração de oportunidades de investimentos complementares, públicos ou privados, e de emprego e renda.

A proposta do plano, informou o diretor-executivo da Agência Metropolitana de Campinas (Agemcamp), Gustavo Zimmermann, é democratizar as informações para que os empresários possam se antecipar aos investimentos, identificando oportunidades. Há uma reivindicação do setor empresarial para que os prefeitos exerçam o poder político para que as empresas que vencerem o consórcio do TAV, por exemplo, contratem empresas locais para fornecimento de máquinas, tecnologia, materiais e mão de obra.

Uma prospecção realizada pela Fiesp e divulgada em setembro pelo vice-presidente, Juan Quirós, mostrou que, somente com o TAV, haverá a necessidade de investimentos de R$ 20,8 bilhões na região em construção civil, especialmente em empreendimentos hoteleiros, imobiliários e estrutura para atender os passageiros e também em infraestrutura das cidades, para criar acessos ao trem rápido — nesse caso, entram estradas, logística, saneamento básico e formação da mão de obra especializada.

A Fundap fará uma avaliação atualizada da carteira de investimentos mapeada pela Agemcamp em 2006 para identificar o potencial e reforçar as tendências já em curso ou potencializar o desenvolvimento da RMC. Será feito um levantamento de informações estatísticas relevantes, de emprego, valor adicionado, características sociodemográficas e os projetos e ações relevantes para a região.

Região fará o estudo do custo de aluno em creche

A RMC fará um levantamento para saber quanto custa cada aluno matriculado nas creches para poder mostrar aos promotores de Justiça que esse direito das crianças não cabe nos orçamentos dos municípios. A decisão foi tomada ontem em reunião do Conselho de Desenvolvimento, ocorrida em Jaguariúna, a partir de pedido da Câmara Temática de Educação. “Se soubermos o custo de cada criança, teremos uma planilha para negociarmos com o Ministério Público e sindicatos a possibilidade de atendimento às demandas”, afirmou Jane Ferretti, secretária de Educação de Indaiatuba e representante da Câmara Temática de Educação. O prefeito de Indaiatuba, Reinaldo Nogueira (PDT), defendeu o levantamento do custo e também critérios que definam quem pode ter vagas nas creches. “A cada dia nascem dez crianças na minha cidade e, se eu tiver que fazer creche para atender todas as crianças, como quer o Ministério Público, eu tenho de construir uma a cada dez dias. Por isso, é preciso ter critério social. Se fizermos um pente-fino, vamos encontrar na fila por creche pessoas com condições até de pagar babá. A mãe quer deixar a criança na creche e ir ao shopping, ou fazer ginástica. É um direito dela, mas isso não pode comprometer todo o orçamento de uma cidade”, afirmou Nogueira. Segundo Jane, as cidades vêm priorizando as vagas para atender às exigências do Ministério Público e do Conselho Tutelar. O prefeito de Hortolândia, Ângelo Perugini (PT), afirmou que as prefeituras da RMC não têm condições de obedecer a obrigação legal. “As crianças têm direito à escola, mas eu não consigo dar, não tenho recursos. Em Hortolândia, instituí a bolsa-creche, que favorece crianças de 0 a 5 anos”, disse o petista. As escolas e instituições interessadas oferecem vagas para período integral (berçário, minigrupo e maternal) e parcial (jardins 1 e 2) e a Prefeitura paga um valor mensal por aluno atendido. O programa existe desde 2005. Neste ano, estão sendo atendidas pelo bolsa-creche 1.041 crianças. Para o prefeito de Monte Mor e presidente da RMC, Rodrigo Maia (PSDB), é importante saber quanto custa, na região, a manutenção de uma criança em creche para que os municípios decidam se terceirizam o serviço ou se constroem mais unidades.